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Linguística Aplicada no YouTube – Canal da ALAB

A Associação de Linguística Aplicada do Brasil tem agora um canal no YouTube (http://www.youtube.com/alabbrasil. Nele, o visitante poderá encontrar vídeos do Congresso Brasileiro de Linguística Aplicada, realizado no mês de julho na UFRJ. Provavelmente novos vídeos serão continuamente disponibilizados.

Os interessados em Linguística Aplicada devem visitar o canal.

Que é inglês instrumental?

O inglês instrumental é uma abordagem de ensino de língua inglesa que, na maioria das vezes, se refere ao ensino de inglês para leitura. É comum encontrar disciplina com esta denominação em diferentes cursos superiores, especialmente naqueles nas áreas de tecnologia e negócios.  Isto se deve à importância da leitura em língua inglesa para fins acadêmicos ou profissionais.

Para o aluno que precisa fazer prova de leitura para um concurso de emprego e para pós-graduação, especialmente mestreado e doutorado, pode não ser interessante ou objetivo entrar em um curso longo de inglês. A abordagem instrumental é mais indicada por ser mais focada em necessidadades dos estudantes.

O ensino privelegia o desenvolvimento de estratégias de leitura para a compreensão de textos nas áreas de atuação ou estudo dos alunos. A leitura de textos aqui não deve ser confundida com a tradução.

A relação de próximidade entre o estudo e as necessidades dos estudantes geralmente acarreta em maior motivação para a aprendizagem. O estudante consegue bons resultados em pouco tempo.

A minha experiência com inglês instrumental inclui as áreas de informática, petróleo,meio ambiente e física.

Monografias e artigos: atenção ao foco do trabalho

Estudantes costumam ter dificuldades com monografias. Por ser um tema abordado aqui com certa frequência, é comum que visitantes cheguem ao Ensino Atual procurando questões relativas à elaboração e formatação de monografias.

Um dos problemas na elaboração de monografias está na manutenção do foco das discussões e das pesquisas. Os estudantes devem sempre ter o foco em mente. Em termos bem práticos, eles podem escrever este foco do tema em lugar bem visível.  Descuidos, principalmente de iniciantes, podem fazer com que o foco seja perdido ou que ele fique sendo abandonado e retomado diversas vezes ao longo do trabalho.

A divisão da monografia ou de artigos em seções deve ser feito com muita cautela e deve ser constantemente reexaminados. A leitura do trabalho ao longo da sua elaboração e na sua fase final por outras pessoas pode ser interessante. Neste caso, um colega de turma pode ser uma alternativa. O colega, atuando como leitor, poderá verificar se há idas e vindas em discussões.

Outra estratégia é a leitura com marcação ou identificação de tópico frasal. Os próprios autores dos trabalhos podem reler seu trabalho (várias vezes) com bastante calma e escrever ao lado dos parágrafos qual foi o tópico do parágrafo. Isto poderá contribuir para que repetições ou intercalações demasiadas sejam identificadas.  Imagine, por exemplo, que definições de um conceito chave apareça várias vezes ao longo do trabalho. Isto poderá gerar confusões ou perda de foco. O texto tende a ficar cansativo e redundante.

Um tema hoje muito popular em Letras é preconceito linguístico. Neste tema, é comum apresentar definições de variantes linguísticas. Eu não devo ficar oscilando as discussões entre conceitos de gramática, definição de linguística, ensino de leitura, por exemplo. Estas questões podem ser pertinentes, desde que devidamente planejadas e fundamentadas.

Em síntese, sempre verifique se o foco do trabalho está claro e se ele não está sendo perdido.

III Seminário de Formação de Professores

III Seminário de Formação de Professores

Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM – em Uberaba –

Dias 1.º e 2 de dezembro de 2011.

Os trabalhos serão aceitos na forma de comunicação oral e pôster e podem ser inscritos até o dia 20 de outubro.

Informações e inscrições em http://gpeform.uftm.edu.br/

Eixos temáticos:

Et1 – Didática, metodologias especiais e desenvolvimento profissional docente

Et2 – Formação de professores para a educação básica

Et3- Formação de professores para a educação superior

Et4 – Educação matemática e estatística

Et5 – História e historiografia da educação

Et6 – A formação docente, a identidade do professor e a educação inclusiva

Et7 – Formação de professores em língua estrangeira

Et8 – Ética na educação

Et9 – Abordagens e metodologias em ciências

Et10 – Ensino de língua portuguesa

Et11 – Ensino de biologia na contemporaneidade

Et12 – Pesquisas e projetos em ensino de química

Et13 – Política de educação, direitos sociais, cidadania e diversidade

Et14 – Tecnologias de informação e comunicação na educação

Et15 – Questões políticas, pedagógicas e didáticas em torno do ensino sobre as desigualdades e discriminações étnicas e sociais

Et 16 – Formação continuada de professores

Linguística aplicada e ensino de línguas

A Linguística Aplicada é bastante diversificada e rica em temas e metodologias. Sem dúvidas, um dos principais campos da linguística aplicada é o ensino de línguas. Considerando a sua história, é comum que a linguística aplicada seja visto por muitos como a área dos estudos linguísticos que aborda o ensino de línguas estrangeiras. As áreas “iniciais” da linguística aplicada foram ensino de línguas estrangeiras, principalmente da língua inglesa, ensino de língua materna e tradução. Por isto, é possível encontrar referência a mesma como uma “linguística educacional” ou “didática de ensino de línguas”.

É comum que cursos livres de idiomas busquem auxílio de linguistas aplicados para a formação e o treinamento de professores.

Algumas das áreas que cresceram na linguística aplicada nos últimos anos foram análise do discurso, pesquisas sobre identidades, estudos de gêneros, discurso e mídia, letramento… No entanto, o ensino de línguas continua representando a área de maior representação na LA.

Hoje, consequência da sua importância interdisciplinar, profissionais de diferentes áreas buscam especialização em linguística aplicada, não apenas professores de línguas e tradutores.

A linguística aplicada cresce diariamente. O último CBLA foi uma demonstração disso, com mais de 1000 participantes e aproximadamente 800 trabalhos apresentados em diferentes áreas.

Mudança linguística e variação linguística

No post anterior, comentei sobre variações linguísticas, um tema muito discutido hoje nas universidades. Um conceito que é muitas vezes confundido com as variações linguística é o de mudança linguística.

A mudança linguística está relacionada às evoluções de uma língua ao longo do tempo. Trata-se, portanto, de uma questão diacrônica. Por outro lado,  a variação linguística é de natureza sincrônica.

Sabemos que a língua é viva e que, consequentemente, ela muda através dos tempos. Em termos linguísticos, as mudanças não são consideradas aperfeiçoamentos de uma língua. As mudanças, assim como as variações linguísticas, podem ocorrer em diferentes planos (sintáticos, fonéticos, fonológicos, semânticos..).

Para a linguística, a língua de hoje não é melhor ou pior que a de ontem. A compreensão de que a língua se corrompe com o tempo é equivocada. O português só existe hoje porque o latim sofreu ua série de mudanças. Não é possível legislar sobre o uso de uma língua.

A mudança linguística ocorre de forma mais nítida e rápida na oralidade.

 

O que é variação linguística?

Embora as palavras variações e mudanças algumas vezes sejam usadas quase como sinônimos em alguns contextos, quando a questão é estudos linguísticos, as palavras são empregadas para conceitos diferentes. A variação linguística, muito estudada pela sociolinguística, refere-se a diferentes usos de uma língua, considerando, entre outras coisas, a idade do falante, o nível de formalidade, o grau de escolaridade, localização geográfica. Em termos gerais, o conceito concentra-se na diversidade de usos de uma língua, seja na modalidade escrita ou oral, de natureza sincrônica (em determinado momento temporal).  Reconhecemos com facilidade diferenças entre os usos entre o português falado no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Minas, por exemplo. É fácil também identificar diferenças em áreas profissionais ou acadêmicas específicas.

Na mídia, questões relativas à variação linguística exercem certo fascínio. Um exemplo disso foi a “polêmica” do livro didático que tratava de variações linguísticas.

Muitos linguistas estudam as variações linguistas, mas não elegem as variações como certas ou erradas. A questão central é a relação entra a linguagem, a cultura, o contexto e a situação comunicativa. A linguística não faz defesas prescritivas.

No campo da linguística aplicada, o foco muitas vezes não está na variação linguística em si, mas no uso da linguagem e na compreensão e tratamento delas em situações pedagógicas no ensino de línguas, sejam estas maternas ou estrangeiras.

Dividir o inglês em britãnico ou americano é uma simplificação feita muitas vezes para demonstrar diferenças de pronúncia. No entanto, a questão é bem mais complexa. Há outros contextos onde o inglês é lingua materna. Além disso,   a variação não está restrita a aspectos fonéticos e fonológicos. As variações podem, por exemplo, ser sintáticas, lexicais, morfológicas e semânticas…

O que são estilos de aprendizagem?

O conceito de estilos de aprendizagem está relacionado à forma como preferimos estudar ou aprendemos de forma mais fácil, prazerosa ou rápida. Muitas vezes o comceito é confundido com inteligências múltiplas. Embora haja certa proximidade entre eles, tratam-se de coisas diferentes. A forma mais comum de análise e descrição de estilos de aprendizagem está relacionada ao sentido mais diretamente envolvido. Alunos com estilos visuais gostam de aulas com apresentações de slides, vídeos, cores, cartazes e figuras que apresentem ou sintetizem conteúdos. Muitas vezes fazem apelo à memória visual para lembrar conteúdos em provas. Alunos auditivos preferem aulas orais, seminários, palestras. Na hora de estudar, gostam de ler a matéria em voz alta. Há diversas aboardagens de classificação de estilos.

Os estilos podem favorecer o emprego de estratégias de aprendizagem específicas. Há vários estudos que tratam da relação entre estratégias e estilos, também muitas vezes confundidos ou tomados, erroneamente, como sinônimos.

Os professores devem tentar trabalhar de forma a contemplar atividades diversificadas que não favoreçam demasiadamente um tipo de aluno e desagrade outros. O uso excessivo de apresentações de slides pode ser visto como algo cansativo ou pouco proditivo para alunos que tenham estilo auditivo predominante. Outro exemplo, são as aulas seguidas com longas exposições orais. Isto pode ser avaliado de forma negativa por alunos visuais.

Não há formula mágica. É importante diversificar as formas de atividades empregadas sempre que possíveis. É necessário, no entanto, reconhecer que algumas disciplinas ou matérias específicas podem necessitar a priorização de um tipo de recurso. Neste caso, o professor pode direta ou indiretamente conscientizar os alunos da importância daquele tipo de atividade.

Há uma grande quantidade de estudos sobre estilos de aprendizagem em linguística aplicada, mais comumente tratando da aprendizagem de línguas estrangeiras.

Sugestões bibliográficas:

COHEN, A. D. The learner´s side of ESL: Where do styles, strategies and tasks meet? Paper presented at the Southeast TESOL meeting,Miami,October 19-21, 2000.

ELLIS, R. The Study of Second language Acquisition . New York: Oxford University Press, 2001.

REID, J. M. Learning styles in the ESL/EFL classroom. Boston: Heinle & Heinle Publishers, 1995.

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