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O que é interdisciplinaridade?

De uma forma geral, a interdisciplinaridade é o diálogo entre diferentes disciplinas (duas ou mais). A interdisciplinaridade mostra-se de fundamental importância em algumas áreas de estudo, tais como Linguística Aplicada e Educação. Há um crescente reconhecimento de que um “olhar unidisciplinar” seja insuficiente para uma melhor compreensão de processos, fenômenos e acontecimentos.

A interdisciplinaridade ocorre por meio de integração, diálogos e contrapontos entre disciplinas. O fato de duas áreas exeminarem um mesmo objeto não garante a interdisciplinaridade. Este é um engano comum. Linguistas, pedagogos, sociólogos e filósofos podem examinar um mesmo elemento, como, por exemplo, a aprendizagem de línguas, sem necessariamente haver um trabalho interdisciplinar. A interdisciplinaridade compreende proximidade, convergência, contato e interação.

A interdisciplinaridade é muitas vezes confundida com a multidisciplinaridade, na qual várias disciplinas trabalham em um mesmo tema, não exatamente de forma colaborativa ou interativa.

Podemos considera a interdisciplinaridade como uma característica – em certos casos, uma exigência- do terceiro milênio para a realização de pesquisa e para a construção de conhecimento.

Linguística Aplicada e Interdisciplinaridade

A Linguística Aplicada é uma ciência de estudos da linguagem que se caracteriza fortemente pela interdisciplinaridade. Este fato tem feito com que as áreas de atuação de linguístas aplicados seja cada vez maior, o que ficou bastante evidente no último congrasso brasileiro da área, realizado em julho.

Algumas áreas de diálogos com a linguística aplicada são: linguística, psicologia, sociologia, comunicação social, antropologia, história, pedagogia, informática.

É possível encontrar diversas referências bibliográficas que discutem a interdisciplinaridade em linguística aplicada.

ALMEIDA FILHO, J. C. P de. Maneiras de compreender a linguística aplicada.  Revista Letras – Número 2 – Julho/Dezembro de 1991.

CONSOLO, D. A; VIEIRA-ABRAHÃO, M. H. (Orgs) Pesquisa em lingüística aplicada: ensino e aprendizagem de língua estrangeira. São
Paulo: Editora UNESP, 2004.

PEREIRA, R. C.; ROCA, P. Linguística Aplicada: um caminho com diferentes acessos. São Paulo: Contexto, 2009.

MOITA LOPES, L. P. Por uma linguística aplicada indisciplinar.  São Paulo: Parábola, 2006.

MOITA LOPES, L. P. Oficina de lingüística aplicada. Campinas: Mercado das Letras, 1996.

SIGNORINI, I. & CAVALCANTI, M. C. Linguística Aplicada e transdisciplinaridade. Campinas: Mercado das Letras, 1998.

 

 

 

Intertextualidade em monografias e artigos

A intertextualidade se refere ao diálogo entre textos. Em outras palavras, um texto pode recorrer a outros. Isto pode acontecer de formas variadas.

A intertextualidade pode ser literal – quando parte de um texto é citado em outro – ou não-litaral – quando há referência à ideia, ao conteúdo de outro texto sem fazer uso das palavras exatas do texto retomado.

Trabalhos acadêmicos estabelecem os dois tipos de intertextualidado. No entanto, a intertextualidade não-literal é a forma mais empregada. A intertextualidade permite o diálogo entre autores.

Em trabalhos acadêmicos, a intertextualidade deve ser referenciada. Em outras palavras, mesmo quando não há citação literal, devemos referenciar os autores que contribuem com as discussões.

Intertextualidade não deve ser confundida com interdisciplinaridade.

Concurso para Professores: Estado do Rio de Janeiro

Estão abertas até o dia 6 de novembro as inscrições para o concurso do magistério Estadual do Rio de Janeiro. Informações detalhadas podem ser obtidas no site da Fundação Ceperj – www.ceperj.rj.gov.br, organizadora do evento.

São 3.321 vagas para professores. Para Língua inglesa, segundo o site da Fundação, são 89 vagas. Há também vagas para professores de Sociologia, Filosofia, Artes, Biologia, Geografia e Física, entre outros. Há também cadastro de reserva.

O Edital está disponível no site da Fundação Ceperj.

 

Monografias e artigos: cuidado com o senso comum – dicas para monografias

Em post anterior, abordei o problema da perda de foco em trabalhos monográficos e artigos.  Neste post, tratarei de outro erro bastante frequente para estudantes de graduação e pós-graduação: generalizações baseadas no senso comum.

Trabalhos monográficos e artigos devem apresentar fundamentação teórica. O nível e a forma da fundamentação depende um pouco da área. A referenciação bibliográfica, entre outras funções, fundamenta, sustenta e fortalece as discussões. Em linguística aplicada, por exemplo, é raro que um artigo tenha referenciação em poucos autores.  Isto pode ser visto como fragilidade do trabalho. Uma dissertação ou uma tese na área precisa ter vasta fundamentação teórica.

Para monografias e artigos, a fundamentação evidentemente é menor, mas não pode ficar muito restrita. A importância da fundamentação pode ser tema de outros posts. Vamos voltar aos riscos das generalizações basedas em senso comum.

É necessário tomar muito cuidado com afirmações fortes baseadas no senso comum, sem fundamentação. As experiencias pessoais são importantes, mas escrever um artigo baseando-se nas mesmas pode ser um problema sério. O senso comum pode conduzir a afirmações perigosas, imprecisas, falsas e até mesmo preconceituosas.

No caso da educação, um professor não deve escrever um trabalho fazendo parecer, por exemplo, que todas as escolas são “iguais” a sua. O que dá certo em uma escola não necessariamente dá certo em outra. O mesmo ocorre com as experiências bem-sucedidas. Um trabalho acadêmico não pode generalizar como se todos os alunos, as escolas, os professores fossem iguais.

No caso da linguística, dizer, por exemplo, que os “alunos não sabem gramática” é um exemplo de afirmação baseada no senso comum. Algumas perguntas para descontruir esta afirmação: Nenhum aluno sabe gramática? Qual a visão de gramática está sendo considerada? Saber neste caso significa usar a norma padrão? Outras perguntas poderiam ilustrar a dificuldade de manter esta afirmação de forma enfática.

A afirmação exemplificada pode ser encontrada em diversos discursos educacionais, na mídia…  Isto faz erroneamente parecer que ela retrata uma “verdade universal inquestionável”, o que nitidamente não é o caso.

A questão do senso comum é complexa.  Espero ter ajudado um pouco.

 

Monografias e artigos: atenção ao foco do trabalho

Estudantes costumam ter dificuldades com monografias. Por ser um tema abordado aqui com certa frequência, é comum que visitantes cheguem ao Ensino Atual procurando questões relativas à elaboração e formatação de monografias.

Um dos problemas na elaboração de monografias está na manutenção do foco das discussões e das pesquisas. Os estudantes devem sempre ter o foco em mente. Em termos bem práticos, eles podem escrever este foco do tema em lugar bem visível.  Descuidos, principalmente de iniciantes, podem fazer com que o foco seja perdido ou que ele fique sendo abandonado e retomado diversas vezes ao longo do trabalho.

A divisão da monografia ou de artigos em seções deve ser feito com muita cautela e deve ser constantemente reexaminados. A leitura do trabalho ao longo da sua elaboração e na sua fase final por outras pessoas pode ser interessante. Neste caso, um colega de turma pode ser uma alternativa. O colega, atuando como leitor, poderá verificar se há idas e vindas em discussões.

Outra estratégia é a leitura com marcação ou identificação de tópico frasal. Os próprios autores dos trabalhos podem reler seu trabalho (várias vezes) com bastante calma e escrever ao lado dos parágrafos qual foi o tópico do parágrafo. Isto poderá contribuir para que repetições ou intercalações demasiadas sejam identificadas.  Imagine, por exemplo, que definições de um conceito chave apareça várias vezes ao longo do trabalho. Isto poderá gerar confusões ou perda de foco. O texto tende a ficar cansativo e redundante.

Um tema hoje muito popular em Letras é preconceito linguístico. Neste tema, é comum apresentar definições de variantes linguísticas. Eu não devo ficar oscilando as discussões entre conceitos de gramática, definição de linguística, ensino de leitura, por exemplo. Estas questões podem ser pertinentes, desde que devidamente planejadas e fundamentadas.

Em síntese, sempre verifique se o foco do trabalho está claro e se ele não está sendo perdido.

III Seminário de Formação de Professores

III Seminário de Formação de Professores

Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM – em Uberaba –

Dias 1.º e 2 de dezembro de 2011.

Os trabalhos serão aceitos na forma de comunicação oral e pôster e podem ser inscritos até o dia 20 de outubro.

Informações e inscrições em http://gpeform.uftm.edu.br/

Eixos temáticos:

Et1 – Didática, metodologias especiais e desenvolvimento profissional docente

Et2 – Formação de professores para a educação básica

Et3- Formação de professores para a educação superior

Et4 – Educação matemática e estatística

Et5 – História e historiografia da educação

Et6 – A formação docente, a identidade do professor e a educação inclusiva

Et7 – Formação de professores em língua estrangeira

Et8 – Ética na educação

Et9 – Abordagens e metodologias em ciências

Et10 – Ensino de língua portuguesa

Et11 – Ensino de biologia na contemporaneidade

Et12 – Pesquisas e projetos em ensino de química

Et13 – Política de educação, direitos sociais, cidadania e diversidade

Et14 – Tecnologias de informação e comunicação na educação

Et15 – Questões políticas, pedagógicas e didáticas em torno do ensino sobre as desigualdades e discriminações étnicas e sociais

Et 16 – Formação continuada de professores

Artigo: Tecnologia e educação: introdução à competência tecnológica para o ensino online

Tecnologia e educação: introdução à competência tecnológica para o ensino online

Márcio Luiz Corrêa Vilaça

Resumo

O uso da tecnologia na educação, inclusive na educação a distância e ensino semipresencial, demanda novos papéis para professores. Este artigo enfoca o ensino em contextos online, destacando a necessidade de uma abordagem interdisciplinar para a discussão de educação, tecnologia e língua. O foco deste trabalho está na discussão da importância de desenvolvimento da competência tecnológica de professores para a educação online.

Abstract:

The use of technology in education, including distance learning and blended learning, demands new roles for teachers. This article focuses on teaching in online contexts, highlighting the necessity of an interdisciplinary approach to discuss education, technology and language in teacher education and training. The focus of this paper is on discussing the importance of developing teachers’ technological competence for online education.

 

Considerando as possibilidades e ferramentas da internet, a tendência é a forte expansão do ensino semipresencial online nas práticas pedagógicas, em especial no ensino superior, mesmo quando não prevista ou planejada institucionalmente. Em termos práticos, isto significa que, independente de currículos, orientações ou diretrizes oficiais das instituições de ensino públicas e privadas, os
professores podem incluir atividades online nas suas disciplinas, tais como web quests, atividades envolvendo blogs e fóruns, consultas a sites diversos, quizzes, entre muitas outras.

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