Em post anterior, abordei a estreita relação entre linguística aplicada e ensino de línguas. Sem dúvida, as ciências linguísticas podem oferecer contribuições variadas para o ensino de línguas.

É preciso tomar cuidado com a expressão linguística aplicada ao ensino de línguas, uma vez que o significado pode não ser linguística aplicada, mas aplicação de teorias linguísticas (seja da linguística, da sociolinguística ou outra ciência da linguagem) em análises linguísticas ou ensino de línguas. Neste caso, é comum princípios e teorias linguísticas sejam usadas para análises fonéticas, fonológicas, morfológicas e sintáticas.

Esta expressão pode ser ambígua em áreas temáticas em congressos e titulos de trabalhos, especialmente livros. A qualidade dos trabalhos pode ser excelente, mas não ser o que é procurado.

Como tem sido amplamente apontado, hoje a linguística aplicada possui uma identidade mais abrangente e polissêmica, não devendo ser vista de forma restrita à aplicação de teorias linguísticas. É sempre uma questão bastante complexa tentar “separar” ou ‘diferenciar” uma linguística da outra. Esta visão certamente dependerá de qual lado parte a diferenciação.  Não é uma relação dicotômica: linguística x linguística aplicada.