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Linguagem Acadêmica em Monografias

Como sabemos, o uso da lingua sofre variações de acordo com uma diversidades de fatores. Esta é a discussão de variações linguísticas, tema que se popularizou e atraiu grande atenção nos últimos anos, especialmente de sociolinguistas. Um texto escrito é diferente do oral. O texto acadêmico é diferente de um texto de uma carta. Uma mensagem em um chat é diferente de uma mensagem por e-mail. Muitos fatores contribuem para as variações linguísticas, como por exemplo o nível de instrução, a idade, a profissão, questões sociais e economicas, contexto de uso, propósito do uso da língua.

Durante a elaboração de uma monografia, muitos estudantes se deparam com um problema classico, independente da área de estudo: a redação do texto monográfico. Com razoável frequência, é comum que estudantes transcrevam na modalidade escrita um texto com características de um texto oral. O texto escrito tende a ser mais objetivo, com maior nível de subordinação e menor repetição vocabular.

Um exemplo:

Oral: Ele é professor. Dá aula de língua inglesa. Ele trabalha em escolas. Em várias. As escolas ficam na Baixada Fluminense. Mora no na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Escrito: Embora more no Rio de Janeiro, ele trabalha como professor de língua inglesa em várias escolas na Baixada Fluminense.

Outro erro comum é o nível de formalidade linguística. É comum observar uma escrita informal para o contexto acadêmico, em especial para um trabalho de conclusão de curso, seja este monografia, dissertação ou tese.

Exemplo:

Este trabalho uma visão geral sobre esta forma de pesquisa.

Melhor seria: Este trabalho oferece/proporciona uma visão geral sobre esta abordagem de pesquisa. 

Dependendo do contexto, o adjetivo geral poderia ser substituido por abrangente.

O estudante deve pesquisar artigos, trabalhos, monografias, dissertações e teses na sua área de estudo como modelo de linguagem.  A proximidade entre a áreas de leitura e a de elaboração de tabalho é importante, uma vez que o que pode ser comum ou aceitável em uma área pode não ser em outra.  O texto acadêmico tende a apresentar vocabulário específico pertinente à área ou especificidades de significações de certos termos.

Na área de Educação, por exemplo, o termo treinamento tem sido visto de forma negativa. assim, muitos pesquisadores preferem formação de professores a treinamento de professores, embora os dois conceitos possam se referir a procedimentos e processos diferentes.

Em tempo:

Em Post anterior foram apresentadas algumas orientação sobre a escolha do tema para monografia, mas, em breve, voltarei a tocar no assunto.

Periódicos Acadêmicos e Científicos – publicações

Alguns alunos estranham o termo periódico.  Afinal, o que é um períodico? O periódico é uma publicação eletrônica e/ou impressa que, como o nome indica, tem edições periódicas. As periodicidades mais comuns são anual, semestrel, quadrimestral e trimestral. Em termos acadêmicos, o termo periódico pode ser compreendido como uma revista acadêmica e científica. Dois fatores parecem contribuir para o amplo uso do termo períodico.  Vejamos alguns deles:

a) o termo revista pode confundir o aluno com revistas comerciais diversas que não tem características e objetivos acadêmicos

Revistas comerciais apresentam conteúdos variáveis que podem ser de temáticas diversificadas ou específicas (como as revistas de tecnologia, por exemplo). Os textos ou reportagens são escritas predominatemente por jormalistas e cronistas especializados.  Situações contextuais diversas como economia, política esporte, lazer…. influenciam os conteúdos. A periodicidade em geral é semanal ou mensal. A venda ocorre em livrarias e bancas de jornais, predominantemente.

b) os Periódicos Capeswww.peridicos.capes.gov.br –  este importante portal oferece link para diversas bases de dados e publicações acadêmicas reconhecidas e respeitadas, nacionais e internacionais;

Os períodicos são publicações científicas e acadêmicas que podem publicar artigos, resenhas, resumos de pesquisa, entre outros. Os artigos são escritos por pesquisadores, cientístas e professores. O público-alvo é predominatemente professores e estudantes de graduação e pós-graduação, cientístas e profissionais da área de publicação. Os números podem ser temáticos (Tecnologia na Educação, por exemplo) ou abertos.

Os artigos são submetidos e avaliados pelos pares. Para ilustrar nas áreas de Letras e Educação, por exemplo, os artigos são, em geral, avaliados por professores doutores.

Há diversos periódicos de acesso gratuito disponíveis na internet.

Os periódicos podem colaborar para pesquisas para monografias, dissertações e teses, inclusive para a definição de temas.

Visite os Periódicos Capes e saiba mais sobre os periódicos !

Muitos períodicos estão ligados a Escolas, Departamentos e Programas de Pós-Gradução em Universidades e Faculdades.

Estas características fazem dos periódicos uma importante fonte de estudo e consulta para estudantes de graduação e pós-graduação, uma vez que os artigos foram escritos por competentes especialistas e pesquisadores e foram avaliados previamente. Estes fatos contribuem para a qualidade dos conteúdos e, consequentemente, das publicações.

Temas para Monografias – a escolha

Como escolher um tema para uma monografia? Este é um assunto que incomoda muitos estudantes de graduação e de pós-graduação. Apresento aqui algumas perguntas que podem auxiliar na escolha do assunto.

Imaginemos que o aluno tenha alguns possíveis assuntos/tópicos em mente. Algumas perguntas podem ajudar a identificar possíveis riscos da escolha do tema para a monografia.

As discussões aqui são gerais. O orientador saberá auxiliar o aluno. No entanto, muitas vezes o orientador só é escolhido ou definido após a decisão por um tema.

Mesmo que ainda não tenha um orientador, o aluno deve procurar professores da área que gostaria de pesquisar para conversar sobre as possibilidades para a monografia.

O objetivo é simples: identificar potenciais problemas que venham a dificultar ou inviabilizar o traballho.

1) O assunto tem relação com o trabalho do aluno ou com objetivos profissionais?

Não é bom que  a escolha do tema ocorra ao acaso, sem uma motivação presente ou um objetivo futuro. A monografia pode contribuir para a formação ou para a atuação profissional do estudante. Não deve ser um tema, desinteressante para o aluno, que será esquecido e rejeitado depois da conclusão do curso. Dependendo da área, o aluno poderá fazer uma monografia sobre um assunto não estudado durante o curso, mas que pode ser relevância profissional.  Há casos em que estudos e pesquisas para monografias podem interessar a empresas, que por sua vez podem contribuir para a pesquisa. É claro que isto tudo dependerá da área de atuação.  Na área de informática, há vários casos de trabalhos realizados em universidades que se transformaram em empresas e tecnologias de sucesso.

2) O assunto tem relação com objetivos acadêmicos do aluno?

Imagine que o aluno pretenda seguir os estudos em pós-graduação (Lato Sensu – especialização / Stricto Sensu – mestrado e Doutorado). É bom que a monografia colabore para a preparação para estudos mais avançados. Um tema bem escolhido poderá ser aprofundado num mestrado, por exemplo. Um tema bem escolhido poderá ser aprofundado em novos estudos. Um exemplo: um aluno de letras deseja ser tradutor e fazer um mestrado com pesquisa relacionada à Tradução. Ele pode começar a estudar o assunto para a monografia e continuar com o tema numa dissertação.

3) O aluno conhece ou tem bibliografia (livros, artigos, etc) sobre o tema escolhido?

Se ele não tiver ou não conhecer bibliografia sobre o assunto, ele terá um problema sério pela frente. A monografia, pelo menos na maioria das áreas, deve ser fundamentada teorica e/ou cientificamente. É preciso que os livros e artigos, por exemplo, sejam de fácil e rápida aquisição. A demora na identificação ou na aquisição de referencial teórico pode comprometer a viabilidade do trabalho, especialmente quando o tempo é curto.

4) O tema foi sugerido por outra pessoa?

É comum que os alunos peçam sugestões de temas para acelerar esta etapa de definição. Cuidado e prudência neste caso. Embora a sugestão tenha as melhores das intenções, o que pode ser interessante e proditivo para uma pessoa pode ser ruim para outra. Evite seguir sugestões apenas para considerar que o problema do tema foi resolvido. Imagine que um aluno de Pedagogia queira pesquisar EaD, mas acaba seguindo uma sugestão de pesquisar a História da Educação. Na prática, o assunto poderá não ser tão legal para quem vai fazer o trabalho. O aluno trambém poderá ver que não tem bibliografia sobre o assunto.

5) O aluno conhece algum trabalho na área ou no tema?

Trabalhos na área podem ajudar a entender a estruturação da monografia, o tipo de linguagem, entre outras coisas.

6) O aluno conhece a metodologia de pesquisa a ser empregada?

Pesquisas de natureza aplicada requerem conhecimento e domínios específicos para a coleta e para a análise de dados. Neste caso, a importãncia de um orientador experiente é maior ainda. O projeto deve ser discutido com o orientador. Há uma série de decisões a serem tomadas. Diversos aspectos precisam ser considerados, como, por exemplo, abordagem da pesquisa, metodologia ou modelo de pesquisa, instrumentos de coleta de dados, contexto de investigação, procedimentos de coleta e análise de dados, entre outros.

Realmente a escolha do tema para uma monografia é muito complexa, mas penso que as perguntas acima podem ajudar a verificar alguns problemas comuns decorrentes da escolha equivocada.

Outro ponto importante é a delimitação do tema. Um trabalho não deve ter muitos objetivos ou objetivos ousados. Isto, no entanto, é assunto para outra discussão no futuro.

Métodos de Ensino – Uma breve apresentação

Ofereço uma apresentação online sobre métodos de ensino:

http://www.ensino21.com/professormarcio/apresentacaometodo/index.html

Alguns conteúdos da apresentação: método gramática-tradução, método audiolingual, abordagem comunicativa, task-based teaching, content-based teaching.

Esta apresentação encontra-se em formato Flash, um formato universal de grande utilidade em Educação a Distância (EAD).

Espero que a apresentação possa ser útil.

Língua Estrangeira: métodos de ensino

Como definir um método ? O que é técnica de ensino? Qual a diferença entre método e abordagem de ensino?

Esta e outras questões são abordadas no meu artigo:

Métodos de Ensino de Línguas Estrangeiras: fundamentos, críticas e ecletismo.

Publicado na Revista Eletrônica do Instituto de Humanidades da Unigranrio. Volume VII. Número XXVI. Julho-Setembro de 2008. ISSN 1678-3182

Resumo:

Este artigo discute diferentes questões relativas a métodos de ensino de línguas estrangeiras, com especial atenção à definição do conceito, críticas e à Era Pós- Método.

Palavras-Chave: método, língua estrangeira, ecletismo, era pós-método


Leia o artigo.  DISPONÍVEL PARA LEITURA

 

Introdução em monografias, dissertações e teses

Uma dúvida frequente de alunos de graduação e pós-graduação é o conteúdo e o tamanho da introdução.  Em monografias, é comum encontrar introduções muito curtas. Embora não haja uma fórmula, uma introdução muito curta pode parecer descuido. Como a versão final de uma introdução é geralmente a última parte a ser escrita, uma introdução muito breve pode dar a sensação de trabalho terminado às pressas. Repito:: é uma possível sensação. Pode ser ou não o caso.

Por outro lado, uma introdução muito grande pode ser muito cansativa, repetitiva ou adiantar demais discussões dos capítulos.

A introdução deve ser uma apresentação do trabalho, que objetiva, entre outras coisas, cativar o leitor e prepará-lo para a leitura do trabalho.

Ela pode conter:

  • Contextualização (área do trabalho, foco, nível do estudo…)
  • Motivação
  • Problema de pesquisa/tema
  • Objetivos do trabalho
  • Relevância do estudo- em termos teóricos e/ou práticos
  • Contribuições esperadas do trabalho
  • Apresentação da metodologia de pesquisa – apenas para situar o leitor- trabalhos aplicados, em geral, apresentam um capítulo específico para isto
  • Apresentação geral dos capítulos
  • Considerações gerais

Em pesquisas aplicadas, é comum que alguns aspectos sejam retomados e discutidos com maior profundidade no capítulo de Metodologia da Pesquisa.

Aconselho a leitura de trabalhos na área (temática e disciplina) da monografia/dissertação/tese para verificar como a introdução foi estruturada.

Introduções em artigos seguem uma lógica um pouco diferente, uma vez que deve ser consideravelmente menor.

Resumo, Abstract e Introdução

Trabalhos de natureza monográfica (monografias, dissertações e teses) apresentam resumo, abstract e introdução.  É comum também que estes elementos estejam presentes em artigos. Alguns comentários sobre os três elementos:

Resumo – Geralmente escrito em uma folha única, o resumo deve oferecer uma visão geral do trabalho em questão. O objetivo do resumo é indicar a um possível leitor se o trabalho deve ser lido ( se interessa ao leitor). Assim, o resumo deve proporcionar prioritariamente ao leitor indicações objetivas sobre:

a) objetivo do trabalho / pergunta (s) de pesquisa
b) orientação teórica / fundamentação bibliográfica
c) metodologia da pesquisa
d) principal(is) resultado(s) do estudo

Ele não deve ser confundido com a introdução. Este é um engano em alguns trabalhos. O resumo não deve ser um pedaço da introdução ou uma preparação para a mesma.  

Abstract (termo, em inglês, para resumo) – deve ser uma tradução ou adaptação, em língua inglesa, do resumo (Em outras línguas ele recebe outras denominações). O erro comum, neste caso, é considerar a obrigatoriedade da tradução literal em língua estrangeira do texto em português. O abstract deve conter as mesmas informações contidas no resumo, mas não há obrigatoriedade de ser uma traduação literal. Voltarei a falar disso em novo post.

Introdução: (discutirei com mais detalhe em post futuro) – Basicamente deve oferecer uma visão geral do seu trabalho, provocar o interesse do leitor paras o trabalho, justificar e ressaltar a importância e a contribuição do trabalho, entre outros objetivos.