Arquivo da categoria: Metodologia e Pesquisa

Pesquisa Qualitativa: sugestões bibliográficas

Algumas sugestões bibliográficas sobre pesquisa qualitativa para Ciências Humanas e Sociais, inclusive para Linguística Aplicada e Educação:

 

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.

LÜDKE, M ; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. 6ª Reimpressão. São Paulo: EPU, 2001.

MICHEL, M. H. Metodologia e Pesquisa Científica em Ciências Sociais. São Paulo: Atlas, 2005.

OLIVEIRA, M. M. Como fazer pesquisa qualitativa. Petrópolis: Editora Vozes, 2007.

PÁDUA, E. M. M de. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico-prática. 6 ed. Campinas: Papirus Editora, 2000.

RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3ª Ed. São Paulo: Editora Atlas, 2007.

Intertextualidade em monografias e artigos

A intertextualidade se refere ao diálogo entre textos. Em outras palavras, um texto pode recorrer a outros. Isto pode acontecer de formas variadas.

A intertextualidade pode ser literal – quando parte de um texto é citado em outro – ou não-litaral – quando há referência à ideia, ao conteúdo de outro texto sem fazer uso das palavras exatas do texto retomado.

Trabalhos acadêmicos estabelecem os dois tipos de intertextualidado. No entanto, a intertextualidade não-literal é a forma mais empregada. A intertextualidade permite o diálogo entre autores.

Em trabalhos acadêmicos, a intertextualidade deve ser referenciada. Em outras palavras, mesmo quando não há citação literal, devemos referenciar os autores que contribuem com as discussões.

Intertextualidade não deve ser confundida com interdisciplinaridade.

Vocabulário acadêmico em monografias e artigos

Escrever um texto acadêmico geralmente não é uma tarefa simples para quem está iniciando. Isto fica bastante visível na elaboração de monografias e artigos de.  conclusão de cursos. Há uma dificuldade de compreensão dos gêneros textuais acadêmicos e seus objetivos. Além da dificuldade de definição de um tema para a monografia, os estudantes também se deparam muitas vezes com outro aspecto desafiador: a redação acadêmica do texto.

Uma dica bastante útil é a leitura de artigos na área do trabalho. Isto ajuda a compreender como os trabalhos são organizados e escritos. Os estudantes podem circular ou sublinhar as expressões, o vocabulário e as construções empregadas por autores experientes.

É necessário reconhecer que há questões de estilos que fazem com que as formas e preferências de produção textual sejam diferentes. Além disso, há a famosa discussão entre o uso ou não da primeira pessoa em trabalhos acadêmicos (isto será tema de outro post).

Vejamos alguns verbos úteis para trabalhos acadêmicos:

apontar / discutir / abordar / tratar / enfatizar / relatar / analisar / visar / pretender / enfocar / comparar / contrastar / explicar / exemplificar / restringir / criticar / estabelecer /  ressaltar / destacar / compreender / fundamentar / viabilizar / possibilitar / sustentar / pesquisar / comentar / diagnosticar / avaliar / quantificar / organizar / questionar / investigar / verificar /

Até logo !

Monografias e artigos: cuidado com o senso comum – dicas para monografias

Em post anterior, abordei o problema da perda de foco em trabalhos monográficos e artigos.  Neste post, tratarei de outro erro bastante frequente para estudantes de graduação e pós-graduação: generalizações baseadas no senso comum.

Trabalhos monográficos e artigos devem apresentar fundamentação teórica. O nível e a forma da fundamentação depende um pouco da área. A referenciação bibliográfica, entre outras funções, fundamenta, sustenta e fortalece as discussões. Em linguística aplicada, por exemplo, é raro que um artigo tenha referenciação em poucos autores.  Isto pode ser visto como fragilidade do trabalho. Uma dissertação ou uma tese na área precisa ter vasta fundamentação teórica.

Para monografias e artigos, a fundamentação evidentemente é menor, mas não pode ficar muito restrita. A importância da fundamentação pode ser tema de outros posts. Vamos voltar aos riscos das generalizações basedas em senso comum.

É necessário tomar muito cuidado com afirmações fortes baseadas no senso comum, sem fundamentação. As experiencias pessoais são importantes, mas escrever um artigo baseando-se nas mesmas pode ser um problema sério. O senso comum pode conduzir a afirmações perigosas, imprecisas, falsas e até mesmo preconceituosas.

No caso da educação, um professor não deve escrever um trabalho fazendo parecer, por exemplo, que todas as escolas são “iguais” a sua. O que dá certo em uma escola não necessariamente dá certo em outra. O mesmo ocorre com as experiências bem-sucedidas. Um trabalho acadêmico não pode generalizar como se todos os alunos, as escolas, os professores fossem iguais.

No caso da linguística, dizer, por exemplo, que os “alunos não sabem gramática” é um exemplo de afirmação baseada no senso comum. Algumas perguntas para descontruir esta afirmação: Nenhum aluno sabe gramática? Qual a visão de gramática está sendo considerada? Saber neste caso significa usar a norma padrão? Outras perguntas poderiam ilustrar a dificuldade de manter esta afirmação de forma enfática.

A afirmação exemplificada pode ser encontrada em diversos discursos educacionais, na mídia…  Isto faz erroneamente parecer que ela retrata uma “verdade universal inquestionável”, o que nitidamente não é o caso.

A questão do senso comum é complexa.  Espero ter ajudado um pouco.

 

Monografias e artigos: atenção ao foco do trabalho

Estudantes costumam ter dificuldades com monografias. Por ser um tema abordado aqui com certa frequência, é comum que visitantes cheguem ao Ensino Atual procurando questões relativas à elaboração e formatação de monografias.

Um dos problemas na elaboração de monografias está na manutenção do foco das discussões e das pesquisas. Os estudantes devem sempre ter o foco em mente. Em termos bem práticos, eles podem escrever este foco do tema em lugar bem visível.  Descuidos, principalmente de iniciantes, podem fazer com que o foco seja perdido ou que ele fique sendo abandonado e retomado diversas vezes ao longo do trabalho.

A divisão da monografia ou de artigos em seções deve ser feito com muita cautela e deve ser constantemente reexaminados. A leitura do trabalho ao longo da sua elaboração e na sua fase final por outras pessoas pode ser interessante. Neste caso, um colega de turma pode ser uma alternativa. O colega, atuando como leitor, poderá verificar se há idas e vindas em discussões.

Outra estratégia é a leitura com marcação ou identificação de tópico frasal. Os próprios autores dos trabalhos podem reler seu trabalho (várias vezes) com bastante calma e escrever ao lado dos parágrafos qual foi o tópico do parágrafo. Isto poderá contribuir para que repetições ou intercalações demasiadas sejam identificadas.  Imagine, por exemplo, que definições de um conceito chave apareça várias vezes ao longo do trabalho. Isto poderá gerar confusões ou perda de foco. O texto tende a ficar cansativo e redundante.

Um tema hoje muito popular em Letras é preconceito linguístico. Neste tema, é comum apresentar definições de variantes linguísticas. Eu não devo ficar oscilando as discussões entre conceitos de gramática, definição de linguística, ensino de leitura, por exemplo. Estas questões podem ser pertinentes, desde que devidamente planejadas e fundamentadas.

Em síntese, sempre verifique se o foco do trabalho está claro e se ele não está sendo perdido.

Metodologia científica: sugestões bibliográficas

 

Algumas sugestões bibliográficas de livros nacionais sobre metodologia científica:

 

APPOLINÁRIO, F. Dicionário de metodologia científica: um guia para a produção do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2004.

BARROS, A. J. S. e LEHFELD, N. A. S. Fundamentos de Metodologia: Um Guia para a Iniciação Científica. 2 Ed. São Paulo: Makron Books, 2000.

CERVO, A. L. & BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 4 ed. São Paulo: Makron Books, 1996.

CHAVES, M. A. Projeto de pesquisa: guia prático de monografia. 2 ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2003.

CHIZZOTTI, A. Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais. 7 ed. São Paulo: Cortez Editora, 2005.

DEMO, P. Pesquisa: princípio científico e educativo. São Paulo: Cortez, 2000.

FERREIRA, M. C.; MOURA, M. L. S. Projetos de pesquisa: elaboração, redação e apresentação. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2005.

GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5 ed. São Paulo: Atlas, 1999.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.

LÜDKE, M ; ANDRÉ, M. E. D. A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. 6ª Reimpressão. São Paulo: EPU, 2001.

MAGALHÃES, G. Introdução à metodologia da pesquisa: caminhos da ciência e tecnologia. São Paulo: Ática, 2005.

MARCONI, M. A. & LAKATOS, E. M. Metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2000.

MEKSENAS, P. Pesquisa social e ação pedagógica: conceitos, métodos e práticas. São Paulo: Loyola, 2002.

MICHEL, M. H. Metodologia e Pesquisa Científica em Ciências Sociais. São Paulo: Atlas, 2005.

OLIVEIRA, M. M. Como fazer pesquisa qualitativa. Petrópolis: Editora Vozes, 2007.

PÁDUA, E. M. M de. Metodologia da pesquisa: abordagem teórico-prática. 6 ed. Campinas: Papirus Editora, 2000.

RAMPAZZO, L. Metodologia científica: para alunos dos cursos de graduação e pós-graduação. São Paulo: Loyola, 2002.

RICHARDSON, R. J. Pesquisa social: métodos e técnicas. 3ª  Ed. São Paulo: Editora Atlas, 2007.

RUDIO, F. V. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 36 Ed. Petrópolis: Vozes, 2009.

 

Monografias e Artigos: Referências e Bibliografia

Tenho recebido diariamente uma grande quantidade de visitantes que buscam compreender a diferenciação entre referências e bibliografia, o que parece demonstrar a relevância desta compreensão.  Como a diferenciação entre bibliografia e referências bibliográficas não é comum, achei bom fazer algumas observações.

As referências devem estar restritas às obras referenciadas no corpo de um texto, inclusive projetos. Por este motivo, é comum em bancas, pareceres de projetos e artigos verificar, no caso das referências, se todas aparecem (referenciadas, idependente de citações literais) no texto.

Embora o termo bibliografia tenha um sentido mais amplo, é necessário cuidado. Em artigos, referenciar no corpo do texto poucos autores e oferecer uma vasta bibliografia ao final pode bastante delicado e perigoso, uma vez que pode parecer um estudo muito mais aprofundado do que realmente foi. Em outras palavras, este erro pode parecer um enchimento biblliográfico que não condiz com o estudo de fato realizado.

Muitos periódicos acadêmicos enfatizam que apenas as obras referenciadas no corpo do texto podem ser referenciadas ao final do trabalho.

Em artigos, dissertações e teses, logicamente não é comum encontrar as duas coisas, até mesmo porque muitos autores, como já apontado, não compreendem ou estabelecem diferenciação. Isto não significa, no entanto, que não haja diferenças.

Um exemplo prático pode ser encontrado no livro de metodologia de Maria Helena Michel, Metodologia e Pesquisa Científica em Ciências Sociais, publicado pela Editora Atlas. Na obra, a especialista apresenta referências bibliográficas e bibliografia de apoio.

Logicamente não há um acordo pleno sobre questões de metodologia. Isto se deve a vários fatores. Primeiramente, as terminologias são difíceis de serem controladas, por serem na maioria das vezes termos baseados em vocabulário de uso comum.

Além disso, não existe uma graduação específica em  Metodologia. Isto contribui para que os conceitos e termos sejam, quase que invariavelmente, em especial em pesquisa qualitativa, compreendidos de forma diferenciada, dependendo da área de formação e atuação do pesquisador.

Dicas para monografia: tema, redação, metodologia, objetivos…

Dicas para monografiaO semestre está começando e muitos estudantes precisam fazer monografia de conclusão de curso. Muitos usuários visitam este site procurando por dicas para monografias, sugestões de temas, metodologia, formatação.

Então, não custa apresentar objetivamente algumas dicas:

1- Administre o tempo – demorar para definir tema, objetivos ou para escrever a monografia pode ser o primeiro problema. Quanto mais tempo for desperdiçado, menor ele será para desenvolver o trabalho.

2- Escolha um bom tema – Como escolher um tema para monografia? Pense em algo relevante, proveitoso acadêmica ou profissionalmente. Evite temas com pouca bibliografia disponível ou com bibliografia de difícil aquisição.  Dificuldades de obtenção de bibliografia pode ser um grande tormento, principalmente quando o tempo para a monografia é pequeno.

3- Cuidado com temas sugeridos – O tema sugerido pode ser relevante, agradável ou fácil para quem sugeriu, mas pode não ser agradável, produtivo ou relevante para quem sugeriu.

4- Limite os seus objetivos – um trabalho com muitos objetivos pode ser inviável, representar vários trabalhos ou exigir muito tempo. Muitos estudantes acumulam objetivos e os apresentam ao longo do trabalho, considerando que justificará ou enriquecerá o trabalho. 

5- Mantenha o foco nos objetivos – verifique se os objetivos não foram abandonados ou esquecidos ao longo do trabalho.

6- A metodologia apropriada – a metodologia devem ser o caminho necessário para que atingir os objetivos propostos e responder as perguntas de pesquisa. Todos os procedimentos e instrumentos de coleta de dados, caso necessários, devem ser justificáveis, viáveis e úteis.

7- Avalie o tempo necessário – cronograma – verifique a relação entre o tempo, os objetivos e a redação. Um erro perigoso é planejar um pesquisa que requer mais tempo que o necessário. 

8- Não descuide da linguagem acadêmica – a monografia deve ser escrita com linguagem acadêmica e de acordo com padrões, estilos e formatos aceitos na área.

9- Seja objetivo e claro no seu texto – evite voltas, intercalações demasiadas e repetições desnecessárias. O leitor, independente de ser o orientador ou avaliador, deve entender o texto com facilidade.

10- Respeite as normas de formatação – siga as normas de formatação da ABNT ou indicadas pela instituição

11- Não deixe a formatação para os últimos momentos – trabalhar com o trabalho fora de formatação pode gerar problemas diversos. Por exemplo, o tamanho do trabalho pode ser afetado com a troca de margens, fontes, espaçamento…

12- Atenção à quantidade e à qualidade da bibliografia – a monografia é um trabalho acadêmico e, como tal, requer fundamentação e discussão teórica – não confunda monografia com resumo, fichamento, resenha ou soma destes. Pouca bibliografia pode comprometer o trabalho.

13- Verifique se nenhuma citação literal deixou de ser devidamente referenciada

14- Reserve tempo para revisar tudo – revise aspectos textuais, formais, a clareza do texto, a formatação, paginação, bibliografia…

15- Mantenha contato e dialogue com o orientador

16- Mantenha cópias de segurança (backups) do seu trabalho

17 -Guarde rascunhos e versões diferentes do texto – cuidado para não excluir ou apagar figuras, textos e rascunhos que podem ser úteis. Um parágrafo ou um gráfico rejeitado hoje, por exemplo, pode servir no futuro.