Arquivo da categoria: Educação

E-books gratuitos e publicações acadêmicas online: algumas reflexões sobre a divulgação de trabalhos e pesquisas

Uma fato que merece atenção é o crescimento de publicações acadêmicas disponibilizadas gratuitamente por meio de e-book. Algumas editoras, especialmente universitárias, e autores estão oferecendo livros digitais para download gratuito. Isto, no entanto, não elimina a possibilidade de comercialização de versões impressas, já que uma impressão de qualidade em casa é cara.

Em muitas situações, o retorno financeiro para os autores é complicado por diversos motivos, entre os quais as cópias, a dificuldade de distribuição, o interesse parcial na publicação (alguns capítulos, por exemplo)…

Muitos professores universitários estão sendo seus próprios editores para divulgação de pesquisas e trabalhos, pagando em parte ou na totalidade a publicação de livros individuais ou de organizações com vários autores. Em alguns casos, a publicação apresenta depois um problema: o que fazer com os livros impressos, sem a capacidade de divulgação e distribuição? Quando o livro é uma publicação inteira do(s) autor(es), ele(s) pode(m) receber centenas de livros e não saber direito o que fazer com eles.

Em alguns casos assim, a publicação fica restrita a amigos e a um círculo acadêmico muito restrito, por vezes a professores de uma única instituição. Assim, o objetivo de publicar (tornar público) o conhecimento não é satisfatoriamente atingido. O livro pode virar um lançamento no Lattes, mas com pouco (ou quase nenhum impacto) acadêmico real.

As revistas acadêmicas online representam uma atitude que reforça a necessidade de deixar trabalhos disponíveis para “todos”. Esta é a grande vantagem da publicação online.

Há também a possibilidade de vandas de assinaturas ou e-books acadêmicos por preços realmente competitivos.

Depois continuo esta discussão.

Tecnologia e Informação – nova disciplina da Especialização em Língua Portuguesa na UNIGRANRIO

O uso da Tecnologia na Educação é tema de uma nova disciplina do curso de Especialização em Língua Portuguesa, ministrada pela Profa. Dra. Cleonice Puggian.

Com esta nova disciplina, os alunos terão oportunidade de estudar e refletir sobre a relação entre tecnologia e Educação, assim como aprender aspectos práticos sobre o planejamento e emprego de recursos tecnológicos, inclusive o em potencial da Web 2.0, em suas aulas.

Blogs, ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), fóruns, chat, softwares de apresentação e autoria, web quest são alguns dos tópicos do curso.

Uma novidade que certamente enriquecerá as práticas pedadógicas dos alunos.

 

Pós-graduação lato sensu – estrutura, funcionamento, objetivos

É fácil verificar que muitas pessoas confundem os tipos e níveis de cursos e títulos de pós-gradução. Aqui apresento algumas considerações. Há dois tipos de pós-graduação: lato sensu e stricto sensu.

Neste post, apresento algumas questões tomando como base as áreas de Letras, Linguística, Educação e Ciências Humanas em geral. Nas áreas de saúde e ciências exatas, por exemplo, as questões são um pouco diferentes.

A pós-graduação lato sensu é, em geral, mais diretamente voltada para o exercício de atividades profissionais. Neste tipo de curso, o estudante busca aprofundar os seus conhecimentos em uma área, que pode ser um campo da sua graduação ou um outro campo. as formas de ingresso dependem do curso e da instituição. A duração mínima é de 360 horas de aula. Ao final, o aluno apresenta um trabalho final de curso que, na maioria das vezes, é uma monografia ou um artigo. Ao longo do curso que dura aproximadamente um ano (isto depende da carga horária e da estrutura do curso), o aluno cursa sequencialmente uma séria de disciplinas – também chamadas muitas vezes de módulos. A maioria dos cursos concentra-se nos sábados em horários entre 8:00 h e 17:00. No estilo mais comum, as disciplinas são de 36 ou 40 horas, muito frequentemente 4 sábados de aula.

Neste tipo de curso, a titulação dos professores é predominantemente de mestre e doutores. Isto, no entanto, pode ser um pouco diferente dependendo de diversos fatores, inclusive a área acadêmica do curso. Os docentes podem ser da própia instituição ou professores convidados.

As disciplinas são cursadas uma de cada vez na grande maioria dos casos. As universidades tem grande autonomia para a criação de cursos de pós-graduação lato senso. No entanto, em algumas áreas, os Conselhos de Classe têm influência na estrutura do curso.

Em Letras e Educação, os profissionais podem ter quantas especializações quiserem. As especialização oferece um maior aprofundamento em uma área mais delimitada. Um licenciado em Letras pode pretender se especializar em Linguística Aplicada ou Língua Portuguesa, por exemplo. Outra possibilidade é ampliar o campo buscando uma especialização em outra área não estudada na graduação. Um pedagogo pode querem fazer uma especialização em Linguística, já que o campo pode oferecer muitas contribuições para o seu exercício profissional, mas não costuma fazer parte do currículo de graduação.

É importante mencionar que a especialização amplia o campo de trabalho do profissional, mas na maioria dos casos não atribui habilitação profissional. Vejamos um exemplo: se licenciado em Letras cursa uma pós-graduação lato sensu em Pedagogia, ele não vira um pedagogo. Ele é um professor de línguas, com especialização em Pedagogia. Em outras palavras, a habilitação legal é, na maioria dos casos, conferida pelo curso de graduação. Isto depende entre outras coisas da regulamentação da profissão e das exigências legais.

Nas áreas das Ciências Humanas, é comum que os públicos dos cursos sejam bem amplos e interdisciplinares, principalmente das áreas chamadas de áreas próximas. Isto é normalmente apontado pelas instituições que ofecerem os cursos de pós-graduação.

A grade curricular pode variar muito. Assim, não observe apenas o título do curso de especialização, mas verifique os objetivos e as disciplinas. Dois cursos de especialização em Linguística ou Linguística Aplicada  podem ter estruturas e objetivos muito diferentes, que podem ser refletidas na grade curricular e nas formações e áreas de atuação dos docentes.

Caso deseje fazer uma especialização e tenha dúvidas, informe-se com a universidade, com o coordenador do curso e, em alguns casos, com o Conselho de Classe.

Em outro post, traterei da especialização stricto senso.

Web 2.0 e materiais didáticos de línguas : Artigo Disponível

Artigo que apresenta reflexões sobre a elaboração de materiais didáticos e serviços e ferramentas da Web 2.0. Afinal, o que é web 2.0? Como ela está relacionada com os materiais didáticos de línguas?

VILAÇA, Márcio Luiz C. Web 2.0 e materiais didáticos de línguas: reflexões necessárias. Cadernos do CNLF, Vol. XV, Nº 5, t. 1. Rio de Janeiro: CiFEFiL, 2011

Disponível em: http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_1/90.pdf

novas tecnologias ampliam a necessidade de pesquisas sobre o
desenvolvimento de materiais didáticos, já que, além de questões pedagógicas,
é preciso considerar também diferentes aspectos tecnológicos
(tecnologias de produção, as formas de distribuição/disponibilização, aspectos
interativos, questões de multimídia, entre outros).
As tecnologias digitais, inclusive a Web 2.0, oferecem novas possibilidades
para que professores possam produzir e publicar seus próprios
materiais didáticos digitais…

A numeração 2.0 sugere uma atualização de versão, assim como
acontece comumente com softwares. No entanto, conforme discutiremos,
a passagem do que consideramos Web 1.0 para a 2.0 está relacionada à
compreensão de mudança de paradigmas de formas de acesso, uso, participação
e interação na internet (ERCÍLIA & GRAEFF, 2008; GABRIEL,
2010; TORI, 2010).
A web 2.0 não deve ser confundida com as tecnologias e velocidades
de conexão a internet (ADSL, cabo, 3G, por exemplo). Em outras
palavras, a compreensão de web 2.0 não está relacionada ao acesso à internet
na chamada banda larga, com conexões mais rápidas e contínuas.
Esta é uma confusão comum, já que esta denominação começou a se popularizar
de forma um tanto quanto paralela à expansão da internet em alta
velocidade nas residências.
Embora a web 2.0 não se trate de hardware ou tecnologia de acesso
à internet, o desenvolvimento destes auxiliaram a criar condições favoráveis
para a Web 2.0. Valente e Mattar (2007) reconhecem que a banda
larga foi um dos fatores que possibilitaram a viabilização da Web 2.0.

Bibliografia para a iniciação científica e pesquisas acadêmicas

O início das aulas esté chegando e com isso muita gente precisa pensar nos trabalhos de conclusão de cursos, mais tradicionalmente chamados de monografia.

Alguns livros para quem deseja iniciar nas pesquisas científicas e acadêmicas:

 

TACHIZAWA, Takeshy e MENDES, Gildásio. Como fazer monografia na prática. 12 Edição. Rio de Janeiro, 2006.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.

APPOLINÁRIO, F. Dicionário de metodologia científica: um guia para a produção do conhecimento científico. São Paulo: Atlas, 2004.

SEVERINO, A. J. Metodologia do Trabalho Científico. 23 Edição. São Paulo: Cortez, 2007.

CASTRO, Cláudio de Moura. A Prática da Pesquisa. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006.

 

Motivação e aprendizagem de lingua estrangeira

Sem dúvidas, um fator que tem influência direta na aprendizagem de uma língua estrangeira é a motivação. Por vezes, ela vira a desculpa para dificuldades, abandono de curso, desempenho irregular…

A literatura em linguística aplicada, no campo de ensino de línguas estrangeiras, costuma discutir alguns tipos de motivação.

a) Motivação intrínseca – motivação interna, pessoal de um estudante para querer aprender a língua.

b) Motivação extrínseca – motivação externa, contextual, gerada por elemento contextual

c) motivação integrativa(ou integradora) – ocasionada pelo desejo ou necessidade do estudante de interagir ou conviver com falantes da língua – muitas vezes ela acompanha uma atitude positiva em relação ao povo e à cultura daquela língua

d) motivação instrumental – relacionada à necessidade da língua-alvo como instrumento para  a obtenção de um fim comunicativo ou para a realização de tarefas. Compreende-se que a língua é uma ferramenta necessária.

e) motivação resultante (resultative motivation) – decorrente do sucesso na aprendizagem. Um resultado positivo em termos comunicativos ou de avaliação formal (uma nota boa) pode ampliar a motivação do aluno para a aprendizagem daquela língua.

 

O que é aquisição de segunda língua? What is second language acquisition (SLA)?

O termo aquisição de segunda língua ( second language acquisition, em inglês) é um dos principais campos da linguística aplicada. Na verdade, é possível dizer que a linguística aplicada nasceu e ganhou projeção nos estudos de aquisição de segunda língua. O termo muitas vezes não diferencia aquisição de aprendizagem e segunda língua de lingua estrangeira. Isto é bastante visível em livros de Rod Ellis.

Além de métodos de ensino de línguas estrangeiras, a área estuda aspectos que afetam a aprendizagem de línguas estrangeiras/segundas línguas (aptidão, motivação, atitude, crenças, estilos, estratégias de aprendizagem, inteligência…), interlíngua, aquisição de linguagem, ordem de aprendizagem, formação de professores, materiais didáticos…

É comum o emprego da sigla SLA ( second language acquisition) mesmo em publicações em outras línguas.

II SIELP – Simpósio Internacional de Ensino de Língua Portuguesa

II Simpósio Internacional de Ensino de Língua Portuguesa – II SIELP

30/05 – 01/06 de 2012

Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Informações: http://www.ileel.ufu.br/sielp/

Palestrantes:

Profª. Dra. Aparecida Negri Isquerdo (UFMS)
Prof. Dr. Bernard Schneuwly (França)
Profª. Dra. Désirée Motta-Roth (UFSM)
Prof. Dr. Egon de Oliveira Rangel (PUC – SP)
Profª. Dra. Elisete Maria de Carvalho Mesquita (UFU)
Prof. Dr. José Antônio Carvalho Brandão (Universidade do Minho – Portugal)
Prof. Dr. Luiz Carlos Travaglia (UFU)
Profª. Dra. Madalena Dias Teixeira (IPS- Portugal )
Profª. Dra. Maria Cândida Trindade Seabra (UFMG)
Profª. Dra. Maria Célia Lima-Hernandes (USP)
Profª. Dra. Maura Alves de Freitas Rocha (UFU)
Prof. Dr Raul de Souza Puschel (IF-SP)
Profª. Dra. Roxane Rojo (IEL-UNICAMP)
Prof. Dr. Sírio Possenti (UNICAMP)
Prof. Dr. Waldenor Barros Moraes (UFU)